Abandono do Gnome Clássico, Canonical e o Futuro do Ubuntu [COLUNA]


Recentemente a comunidade Linux recebeu a noticia que a equipe do Gnome não daria mais andamento na sessão Gnome Clássico. Esta noticia foi dada por Matthias Clasen e o mesmo trouxe à tona tudo que ocorreu na discussão que antecedeu a decisão, pontos como a dificuldade em manter o desenvolvimento de dois ambientes distintos, o aparecimento a cada dia de mais bugs na versão clássica, além é claro de pontos diplomáticos como a situação em que ficaria as interfaces como o Unity, XFCE e LXDE e por último e talvez uma das mais lógicas, o completo desvio de objetivos entre a sessão clássica e o Gnome 3.

Poderíamos aqui dizer que esta foi uma decisão polemica, que ninguém esperava por tal apunhalada, mas estaríamos sendo sensacionalistas e acima de tudo, mentirosos, já que estava mais do que lógico, que a sessão clássica fugia totalmente do que hoje é buscado pela equipe do gnome e que o mesmo só acarretaria em mais dificuldades para a equipe, que já enfrentarão muitas com o surgimento do Gnome OS.

Mas talvez a pergunta que mais tome a cabeça dos usuários neste momento é : “ Como ficará o Unity?” Afinal o Unity utiliza do Gnome clássico, sem ele estará a Canonical e seu Ubuntu fadados ao fracasso?

Bem, é nesse momento que temos que começar a puxar fatos e momentos que quase todos os usuários esqueceram, palavras e objetivos traçados pela Canonical e hoje esquecidos pelos usuários, fazendo muitos inclusive, pensarem e falarem que a mesma mudou o objetivo inicial do Ubuntu.

Há três anos atrás, para ser mais exato, em 29 de abril de 2010 ocorria o lançamento do Ubuntu 10.04 Lucid Lynx, logo após foram já anunciados como de costume alguns detalhes do próximo lançamento, este então o 10.10, ao trazer estes detalhes Mark Shttleworth disse que a Canonical investe muito do seu tempo na análise das características de seus usuários, ou seja, o que eles mais usam, como se comportam e dentro dessas analises ele afirmou que o foco do trabalho da Canonical no ubuntu era conectar o usuário à web o mais rápido possível.

Mark, um cara que acredita no "poder da palavra"
Pois bem, hoje passado três anos das palavras de Mark, temos no ubuntu 12.10 o Unity 6, do qual o seu maior foco é a integração do usuário com a internet, a facilidade que o Unity traz ao usuário de usar simultaneamente conteúdo local e nas nuvens é surpreendente e inovadora, você até pode não ser um fã do Unity, mas não pode negar que suas características são inovadoras e a possibilidade do usuário buscar imagens em seu HD ou em sua conta no Facebook, arquivos em seu HD ou em seu Google Drive, torna a vida muito mais prática e “moderna”.

Agora leitor, você pode estar dizendo, que todo este paragrafo fugiu do tema inicial que tratava-se da sobrevivência ou não do Unity sem o Gnome clássico, e a resposta é, não, não fugiu, o fato é que para compreendermos como a Canonical tem cada passo planejado, precisamos juntar as peças do quebra cabeça e para isso temos que voltar várias vezes ao passado, este paragrafo anterior demonstrou que o Mark sempre teve o foco na ligação usuário e internet, um modo do usuário estar conectado o mais rápido possível, da forma mais prática possível. Esta foi conquistada, apesar do mesmo afirmar alguns meses atrás, que ainda não é metade do que ele pretende.

Agora precisamos lembrar de outro ponto importante ainda ocorrido em 2010, foi nesta época que a Canonical apresentava sua própria interface gráfica, o Unity, até então focada apenas para netbooks.

Primeira aparição do Unity, nas versões para Netbooks
Ao final do ano de 2010 muitas noticias em portais voltados ao mundo Linux, apontavam um desentendimento entre a equipe do ubuntu e do Gnome, sendo que o que relatava-se é que os objetivos da equipe do Gnome diferenciavam-se dos da Canonical. E em 13 de Outubro de 2011 a Canonical apresentava o Unity como padrão para o ubuntu, deixando de existir uma versão independente para netbooks, passando a ser um único produto.
Mais uma vez a Canonical mostra que seus passos podem ser arriscados, mas são planejados e a chegada do Unity primeiramente ao mundo dos netbooks, foi uma forma de novamente, estudar seus usuários antes de finalmente poder traçar totalmente seus objetivos, sem estar presa aos da equipe do Gnome.

Ainda no 11.10, o Unity foi alvo de muitas criticas, já que ele aparecia muito cru, perto do que hoje conhecemos, e novamente Mark foi à público dizer que o Unity ainda tinha muito para mostrar e que sua próxima LTS seria a melhor de todas, carregando o Unity já melhor trabalhado.

E sim, não podemos dizer que Mark errou, a LTS 12.04 chegou e conseguiu consolidar o uso do Unity, inclusive tendo uma queda das reclamações em fóruns, lugar comum para encontrarmos usuários enfurecidos.

Mas nada consegue parar Mark e sua mania de profetização e dessa vez o mesmo prometeu que a próxima LTS, 14.04, será a melhor plataforma do Mundo. Ao fim fica difícil acreditar que uma empresa e um empresário com tantas certezas, objetivos e determinações, no meio de tantos projetos como o Ubuntu para Android, o Ubuntu TV, os menus inteligentes, sejam pegos de surpresa por uma decisão que toda a comunidade já esperava.

Agora se a Canonical vai trabalhar em cima do XFCE, dificilmente mas uma opção, se vai fazer seu próprio Fork, ou manter-se desatualizada e parada no tempo com a última versão do Gnome Clássico, coisa que obviamente não acontecerá á longo prazo, fica difícil dizer, mesmo conhecendo muito bem toda a história da Canonical e de seu fundador, assim como tudo que já foi traçado até hoje, a Canonical é uma empresa que pensa longe e aposta com "vontade", conseguindo sempre pegar-nos desprevenidos em nossas "premonições". Ainda assim, aqui do Linux Centro, acreditamos que até a LTS 14.04 o Ubuntu terá sua total independência sobre interface gráfica e uma aposta no desenvolvimento próprio do ambiente como um todo, não seria um devaneio total, perante as atuais decisões da Canonical.
Ubuntu TV, mais um produto que mostra que o poder do Unity
O Linux Centro não traz aqui intenções de supervalorizar nenhuma distro, ou mesmo de apontar fatos que não sejam veridicos, por isso o constante uso de datas. O único objetivo de nossa regular coluna é colocar alguns momentos de questionamento aos assuntos do cotidiano de nossa comunidade.

Estamos novamente aqui abordando o tema “Canonical”, pois este que aqui desenrolou foi à pedido de um de nossos leitores e membro ativo da comunidade UbuntuLinux, você também pode sugerir artigos, colunas, tutoriais ou reviews, pode até mesmo escrever o seu e ter publicado aqui no Linux Centro, para isto escreva para : linuxcentro@grupoth.co.cc

Curta Nossa Página no Facebook

Publicidade